Consultórios bem iluminados, câmeras ajustadas e vídeos curtos com dicas sobre procedimentos médicos tornaram-se rotina para muitos profissionais de saúde no Brasil. Com a atualização das normas sobre publicidade médica, o Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a permitir maior presença dos médicos nas redes sociais, ampliando suas possibilidades de visibilidade e interação com pacientes.
Mais do que ferramenta para captar clientes, parte da classe vê nas plataformas digitais uma oportunidade de ampliar o acesso à informação qualificada, fortalecer a autoridade técnica e criar relação mais próxima com o público. Mas o cirurgião plástico Vinicius Julio Camargo alerta para riscos. “Ainda vejo colegas expondo o paciente de forma sensacionalista, prometendo resultados irreais e transformando o ato médico em espetáculo. Isso fragiliza a imagem da medicina e prejudica a confiança da sociedade. A rede social é uma vitrine, e o que mostramos nela precisa ter integridade e ética.”
O desafio, afirma, é equilibrar o alcance das redes com os princípios éticos da profissão. Para ele, conteúdos que educam, humanizam e mostram bastidores com responsabilidade engajam sem recorrer ao marketing agressivo. “Explicar o ‘porquê’ das decisões médicas, compartilhar experiências clínicas sem expor pacientes e abordar temas como autoestima, saúde emocional e ética chamam a atenção de quem busca informação de qualidade, não sensacionalismo. Essas questões são fundamentais para quem procura um profissional em quem confiar.”
Embora reconheça que as redes ampliaram o alcance de seu trabalho, Dr. Vinicius diz que a base do fluxo de pacientes ainda vem de indicações presenciais. “Mesmo na era digital, a confiança é construída no olho no olho, no cuidado real.”
Autor do livro Sucesso Além do Jaleco, o cirurgião defende que a presença digital seja planejada e estratégica. “Existem várias maneiras de investir no marketing. É possível apostar no marketing digital, nas redes sociais, em ações presenciais e até em anúncios pagos, mas o ideal é mesclar estratégias online e offline para alcançar diferentes públicos e maximizar o retorno. O marketing precisa estar alinhado à proposta de valor e ao público que se deseja atingir.”
Segundo ele, redes sociais bem utilizadas ajudam a criar relacionamento, gerar autoridade e atrair novos pacientes, desde que haja constância e conteúdo de qualidade. “Produzir informações relevantes, usar marketing de conteúdo de forma ética e investir de maneira inteligente em anúncios no Google e nas redes sociais amplia a visibilidade e fortalece a marca.
Mas é fundamental ter conhecimento técnico para evitar desperdício e manter a integridade e a ética que devem pautar toda comunicação médica.”
A Resolução CFM nº 2.336/2023 trouxe mudanças importantes na forma de comunicação com o público. Pela primeira vez, autorizou a divulgação de imagens de “antes e depois” de procedimentos, desde que para fins educativos e acompanhadas de informações completas sobre indicações, riscos e resultados.
Para o cirurgião plástico, a medida contribui para refinar a conduta médica, estabelecendo limites claros e protegendo profissionais e pacientes. “Sempre vi as redes sociais como extensão da minha responsabilidade profissional, e a nova norma apenas reforça essa postura. Com as redes sociais, a interação com o público é imediata, mas também exige postura ética constante. Não podemos perder de vista o compromisso com a integridade da profissão.”
Na visão dele, a linha vermelha é clara: “Usar a dor ou o desejo do paciente como ferramenta de marketing.” O médico diz que essa prática compromete valores éticos e coloca em risco o compromisso com o bem-estar do paciente. “Quando a vaidade do médico se sobrepõe ao cuidado com o outro, perdemos o compromisso básico da profissão. O que é viral passa, o que é verdadeiro permanece.”
Da assessoria

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