O município de Pato Branco divulgou uma edição especial do Boletim Informativo da Vigilância Socioassistencial com foco na campanha Maio Laranja, que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio. O material reúne dados, análises e orientações sobre a realidade da violência sexual infantojuvenil no município e reforça o papel da rede de proteção no enfrentamento dessas violações.
O boletim destaca que a campanha “Faça Bonito. Proteja nossas crianças e adolescentes” busca mobilizar a sociedade para a prevenção, conscientização e fortalecimento das denúncias. A publicação relembra que o 18 de Maio foi instituído pela Lei Federal nº 9.970/2000 em memória do caso Araceli Cabrera Crespo, menina de oito anos assassinada em 1973, crime que se tornou símbolo nacional da luta contra a violência sexual infantil.
Entre os dados apresentados, o CREAS de Pato Branco registrou 36 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025. Desses, 77,8% envolveram vítimas do sexo feminino. A maior parte das ocorrências concentrou-se entre adolescentes de 13 a 17 anos, seguida por crianças de 7 a 12 anos. O levantamento também mostra que, entre 2022 e 2025, foram contabilizados 269 casos de violência sexual acompanhados pelo CREAS no município. Em 2022 foram 89 registros; em 2023, 83; em 2024, 61; e em 2025, 36 casos. Apesar da redução gradual nos números, o boletim alerta que a diminuição pode estar relacionada à subnotificação e à dificuldade das vítimas em denunciar os abusos.
Outro ponto destacado é a predominância da violência dentro do ambiente familiar ou de convivência próxima. Os dados indicam vínculos frequentes entre vítimas e supostos autores, incluindo padrastos, pais, mães e outros familiares, evidenciando a complexidade desses casos e a dificuldade de rompimento do silêncio. A região Sul de Pato Branco aparece novamente como a área com maior incidência de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes entre 2022 e 2025. Somente em 2025, a região concentrou 58,3% dos registros acompanhados pelo CREAS.
O boletim ainda detalha sinais de alerta que podem indicar situações de abuso, como isolamento, medo excessivo, mudanças bruscas de comportamento, queda no rendimento escolar, lesões físicas, hiperssexualização precoce e resistência em permanecer próximo de determinadas pessoas. A Vigilância Socioassistencial reforça que a observação desses sinais deve motivar cuidado, escuta qualificada e acionamento da rede de proteção.
A publicação também enfatiza a importância da atuação integrada entre assistência social, saúde, educação, segurança pública e sistema de justiça. Recentemente, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente aprovou um novo fluxo municipal de atendimento às vítimas ou testemunhas de violência, alinhado à Lei nº 13.431/2017, fortalecendo a chamada escuta protegida. Ao final do boletim, a população é incentivada a denunciar suspeitas ou confirmações de violência por meio do Disque 100, Disque 181, Conselho Tutelar e demais órgãos de proteção. O documento reforça que o silêncio contribui para a continuidade da violência e que a denúncia é fundamental para garantir proteção às vítimas.

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