Instituto Iaraê celebra dois anos de atuação e destaca impacto do Movimento Reviva Ligeiro e da Ação Pato Branco pelo Clima

Instituto Iaraê apresenta trajetória e resultados em sessão do Legislativo

O  representante do Instituto Iaraê, Ramon Cardoso, participou da sessão da Câmara Municipal de Pato Branco, realizada nesta quarta-feira (19), para apresentar um balanço dos dois anos de atuação da entidade, destacar os resultados do Movimento Reviva Ligeiro e divulgar a próxima edição da Ação Pato Branco pelo Clima, que contará com participação internacional. Durante sua fala, Ramon explicou que a criação do Instituto Iaraê foi inspirada pelo princípio “pensar globalmente e agir localmente”, lema que norteou todas as iniciativas da organização desde sua concepção.

Segundo ele, o instituto surgiu da iniciativa de um grupo de profissionais da área ambiental que identificou a ausência, em Pato Branco, de uma organização capaz de articular projetos, recursos humanos, financiamento e ações práticas voltadas à preservação ambiental. Embora reconhecesse que a cidade já possuía importantes iniciativas ligadas ao bem-estar animal — destacando o trabalho desenvolvido pela vereadora Tânia —, Ramon afirmou que havia uma lacuna nas políticas voltadas ao meio ambiente de forma ampla.

Foco em ações concretas para gerar impacto ambiental

Desde o início, o Instituto Iaraê foi estruturado para ir além das discussões acadêmicas, concentrando esforços em ações práticas de recuperação ambiental. Conforme explicou Ramon, a proposta sempre foi reunir pessoas, recursos financeiros e projetos, utilizando o conhecimento técnico como base para iniciativas efetivas no território. Ele ressaltou que a organização buscou desenvolver ações de baixo custo, alto impacto e capazes de ser repetidas continuamente, garantindo resultados permanentes ao longo do tempo.

O desafio ambiental na era do Antropoceno

Durante sua apresentação, Ramon também abordou conceitos relacionados às mudanças ambientais globais.Segundo ele, a humanidade vive atualmente na chamada era geológica do Antropoceno, período em que as atividades humanas passaram a exercer influência direta sobre os processos naturais do planeta.De acordo com sua explicação, enquanto no passado os impactos provocados pelo homem eram predominantemente locais — como o desmatamento de uma floresta ou a construção de uma barragem —, atualmente esses efeitos ocorrem em escala geológica. Ramon afirmou que as marcas deixadas pela humanidade permanecerão registradas por milhares de anos, comparando seu impacto a fenômenos naturais de grande magnitude, como a queda de meteoros ou a formação de cadeias montanhosas. Nesse contexto, reforçou que pensar globalmente e agir localmente é uma estratégia essencial para enfrentar os desafios ambientais atuais.

Movimento Reviva Ligeiro nasceu para recuperar o Rio Ligeiro

Com base nessa visão, o grupo fundador definiu um projeto voltado para três frentes principais:

  • retirada de resíduos do leito do Rio Ligeiro;
  • recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs);
  • desenvolvimento de ações permanentes de educação ambiental.

Assim surgiu o Movimento Reviva Ligeiro, iniciativa liderada pelo Instituto Iaraê, mas que, segundo Ramon, pertence à comunidade de Pato Branco. Ele destacou que a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) abraçou o projeto desde o início como ação de extensão universitária, além do apoio de diversas instituições, empresas e voluntários que participam diretamente das atividades, inclusive realizando a retirada manual dos resíduos acumulados no rio.

Dois anos de atuação e mais de 20 toneladas de resíduos retiradas

Fundado em novembro de 2024, o Instituto Iaraê mantém uma agenda contínua de atividades, promovendo praticamente uma ação por mês — em alguns períodos, mais de uma.

Entre os principais resultados apresentados estão:

  • mais de 20 toneladas de resíduos sólidos retiradas do leito do Rio Ligeiro e de sua mata ciliar;
  • retirada de mais de 3 toneladas de lixo em um único ponto, utilizando exclusivamente trabalho voluntário;
  • plantio de mais de mil mudas de árvores nativas para recuperação das áreas de preservação permanente;
  • mobilização de aproximadamente mil voluntários, muitos deles participantes frequentes das ações.

Ramon enfatizou que o objetivo principal nunca foi resolver o problema ambiental apenas retirando lixo manualmente do rio, mas sim promover a conscientização da população. Segundo ele, justamente nesse aspecto o Movimento Reviva Ligeiro alcançou resultados bastante positivos, demonstrando grande adesão da comunidade e ampliando a sensibilização ambiental entre os moradores.

Trabalho percorre todo o perímetro urbano do Rio Ligeiro

As ações do Movimento Reviva Ligeiro abrangem praticamente toda a extensão urbana do Rio Ligeiro. Anualmente, os voluntários percorrem cerca de 14 quilômetros, incluindo galerias pluviais e diversos trechos da mata ciliar. Ramon lembrou que, no ano anterior, foi realizada uma expedição em parceria com a Prefeitura de Pato Branco e o Corpo de Bombeiros para vistoriar as galerias do rio. Além da região central, as atividades também alcançam bairros mais afastados, como o Alvorada, citado por ele como um dos locais de maior atuação do grupo, além do parque e de outros pontos da área urbana. Segundo Ramon, a escolha pela área urbana ocorre porque é onde está concentrada a população, que ao mesmo tempo sofre as consequências e contribui para os impactos ambientais característicos do Antropoceno.

Reconhecimento como utilidade pública fortalece atuação da entidade

Outro tema abordado foi o reconhecimento institucional do Instituto Iaraê. Ramon agradeceu ao vereador Diogo Grando, responsável pela apresentação do projeto de lei que concedeu ao instituto o título de utilidade pública municipal.Ele explicou que esse reconhecimento representa uma etapa fundamental para o fortalecimento da organização, já que futuras certificações e reconhecimentos em níveis estadual e federal dependem da comprovação da relevância da entidade em seu próprio território. Segundo Ramon, esse modelo está alinhado às discussões internacionais sobre governança ambiental, que defendem a valorização das iniciativas locais em vez da adoção exclusiva de políticas impostas de forma vertical. Para ele, mudanças relacionadas à redução das emissões de carbono, gestão de resíduos sólidos e demais políticas climáticas somente alcançam resultados efetivos quando contam com participação ativa das comunidades e dos municípios.

Movimento ganha dimensão internacional por meio do MDLC

Na sequência, Ramon explicou que o Movimento Reviva Ligeiro passou a integrar o MDLC (Movement for Development Led by Communities), uma rede internacional voltada ao desenvolvimento liderado pelas próprias comunidades, com atuação em diversos países do Sul Global. Durante encontros promovidos pela organização, representantes do Instituto Iaraê passaram a dialogar com entidades da Colômbia e da Argentina. A partir dessas conversas surgiu a proposta de realizar ações ambientais sincronizadas, executadas simultaneamente em diferentes países. Segundo Ramon, a estratégia busca ampliar a visibilidade das iniciativas locais, demonstrando que organizações ambientais espalhadas pelo mundo podem atuar em conjunto, potencializando seus resultados e fortalecendo sua relevância social.

Primeira ação internacional reuniu Brasil, Colômbia e Argentina

Durante a sessão, foi exibido um vídeo explicando a origem da iniciativa internacional. No material, Ramon afirma que a estratégia nasceu durante uma reunião do MDLC América Latina e Caribe, quando os participantes perceberam que inúmeras organizações ambientais já desenvolviam ações em seus respectivos territórios. Em vez de trabalhar de forma isolada, decidiram sincronizar suas atividades, promovendo ações simultâneas de combate às mudanças climáticas e recuperação ambiental. O vídeo também apresenta um balanço da primeira participação internacional do Instituto Iaraê. Na ocasião, o projeto Reviva Ligeiro reuniu 12 instituições de Pato Branco, mobilizou aproximadamente 61 voluntários entre universitários, comunidade e parceiros, retirou cerca de duas toneladas de resíduos sólidos do rio e da mata ciliar e realizou o plantio de mais de 100 mudas de árvores nativas, contribuindo para a recuperação das áreas de preservação permanente. Segundo Ramon, essas ações representam uma forma de retribuição à natureza pelos benefícios que ela oferece à sociedade.

Próxima ação internacional será realizada em 29 de agosto

Encerrando esta etapa da apresentação, Ramon convidou vereadores, autoridades e a comunidade para participarem da próxima ação ambiental. O evento ocorrerá no dia 29 de agosto, às 8h30, em um trecho do bairro Alvorada, nas proximidades da ponte onde a Rua Princesa Isabel cruza o Rio Ligeiro. Ele explicou que a região é considerada bastante sensível do ponto de vista ambiental e já recebeu diversas intervenções do movimento. Segundo Ramon, esta será a terceira ou quarta ação realizada naquele local, que anteriormente enfrentou problemas relacionados a ocupações irregulares.

A nova mobilização marcará a segunda ação internacional do Instituto Iaraê em parceria com o MDLC. A expectativa é reunir participantes de mais de 20 países, iniciando as atividades na Índia durante a madrugada, passando por Sri Lanka, Filipinas, diversos países africanos e, posteriormente, chegando à América Latina, com ações simultâneas no Brasil, Colômbia e Argentina. Ramon destacou que a adesão internacional demonstra o crescimento do projeto e afirmou que, literalmente, o Movimento Reviva Ligeiro passou a ser abraçado por comunidades de diferentes partes do mundo.

Pato Branco ganha reconhecimento internacional por iniciativa ambiental

Encerrando sua manifestação, o vereador destacou que a iniciativa desenvolvida em Pato Branco alcançou reconhecimento internacional, tornando-se uma referência para outras cidades e servindo de modelo para ações de alcance global. Segundo o pronunciamento, a experiência pato-branquense chamou a atenção do MDLC (Movement for Development Leadership and Change), organização internacional voltada ao desenvolvimento humano e social. O parlamentar explicou que o movimento atua fortemente em causas relacionadas à proteção das mulheres, especialmente em regiões da África afetadas por guerras civis e conflitos humanitários. Nesse contexto, o representante ressaltou que a incorporação da pauta ambiental e das ações voltadas à prevenção das mudanças climáticas foi considerada tão relevante pelo MDLC que a organização decidiu estruturar sua primeira comitiva oficial para participar de uma Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP).

Representação de Pato Branco na COP 31

Durante o pronunciamento, foi anunciado que, em novembro, acontecerá a participação na COP 31, que, segundo informado na sessão, será realizada na Turquia. O vereador informou que recebeu o convite para atuar como delegado do MDLC na conferência internacional. De acordo com sua fala, a missão vai além da representação da organização: ele afirmou que levará à conferência o trabalho desenvolvido pelo Instituto Iaraê, representando também o município de Pato Branco, o Brasil e a América Latina em um dos principais fóruns mundiais dedicados às discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade.Com isso, o parlamentar concluiu destacando o reconhecimento internacional alcançado pelas iniciativas desenvolvidas no município, enfatizando que a experiência de Pato Branco passa a integrar um espaço global de debate sobre políticas ambientais e ações de enfrentamento às mudanças climáticas.

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