Câmara de Pato Branco inicia processo para formação de Comissão Especial de Inquérito sobre Secretaria de Planejamento Urbano

Presidente solicita indicação de membros para compor CEI

Durante sessão da Câmara Municipal de Pato Branco, o presidente Joecir Bernardi anunciou o encaminhamento dos procedimentos para a constituição de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) destinada a apurar possíveis irregularidades administrativas na Secretaria de Planejamento Urbano. Com base no inciso 2º do artigo 67-A do Regimento Interno da Casa, o presidente determinou que os líderes partidários sejam oficiados para indicar os vereadores que irão compor a comissão, observando a proporcionalidade partidária. A CEI terá como finalidade investigar e apurar os fatos relatados na denúncia apresentada ao Legislativo.

Vereador questiona divulgação antecipada da denúncia

Na sequência, o vereador Fabrício Preis de Mello pediu a palavra para registrar seu posicionamento sobre o processo. Em sua manifestação, afirmou que sua atuação sempre será pautada pelos princípios da legalidade, da transparência e pelo dever constitucional de fiscalização atribuído ao Poder Legislativo. O parlamentar destacou que o artigo 67-A do Regimento Interno da Câmara estabelece a análise jurídica de admissibilidade como uma etapa prévia e obrigatória para pedidos de instauração de Comissão Especial de Inquérito. Segundo o vereador, antes mesmo da conclusão dessa análise técnica, ocorrida em 27 de maio de 2026, o conteúdo da denúncia já havia sido amplamente divulgado por veículos de comunicação. Conforme relatou, a divulgação ocorreu em 20 de maio de 2026 e trouxe a público não apenas os fatos denunciados, mas também as conclusões defendidas pelos autores do requerimento.

Para Fabrício, essa situação permitiu que a denúncia fosse submetida ao julgamento da opinião pública antes da conclusão da etapa jurídica prevista no regimento interno, o que, em sua avaliação, compromete a sequência procedimental estabelecida pela Casa Legislativa e cria um ambiente de pré-julgamento incompatível com os princípios da segurança jurídica, da impessoalidade e do devido processo legislativo.

Solicitação de registro em ata

Diante do exposto, o vereador requereu que cinco pontos fossem formalmente registrados em ata:

  1. Que o conteúdo da denúncia foi divulgado em meios de comunicação em 20 de maio de 2026;
  2. Que o parecer jurídico de admissibilidade foi emitido apenas em 27 de maio de 2026;
  3. Que o artigo 67-A do Regimento Interno prevê uma fase prévia e obrigatória de análise jurídica de admissibilidade;
  4. Que houve uma inversão da lógica procedimental prevista no regimento, uma vez que a denúncia se tornou pública antes da conclusão da análise técnica exigida pela norma interna;
  5. Que a Mesa Diretora adote as providências cabíveis para apurar de que forma o conteúdo da denúncia foi disponibilizado e amplamente divulgado antes do encerramento dos procedimentos relacionados à Comissão Especial de Inquérito.

Defesa do devido processo legislativo

Durante sua fala, o vereador reiterou que a população teve acesso às acusações antes mesmo da Câmara concluir a avaliação de admissibilidade jurídica do caso. Segundo ele, a denúncia foi objeto de debate público sete dias antes da manifestação oficial da Procuradoria Jurídica da Casa. Fabrício ressaltou que não pretende fazer acusações precipitadas, mas defendeu o cumprimento rigoroso da legislação e dos procedimentos regimentais. “Quem errou vai pagar”, afirmou, acrescentando que o papel do Legislativo é justamente garantir o cumprimento das normas e exercer a fiscalização de forma responsável. Ao final de sua manifestação, solicitou que os cinco pontos apresentados fossem incluídos formalmente na pauta dos trabalhos.

Vereador rebate questionamentos e afirma que documento era público

Após a manifestação, o vereador Lindomar Brandão,  um dos autores da denúncia, pediu a palavra para esclarecer o tema. Segundo ele, a divulgação da denúncia não ocorreu em 20 de maio, mas sim em 19 de maio de 2026. O parlamentar argumentou que, assim como ocorreu em outros casos semelhantes, o documento tornou-se público a partir do momento em que foi protocolado no sistema legislativo da Câmara. De acordo com sua explicação, a denúncia foi cadastrada no sistema e passou a integrar os documentos públicos da Casa, ficando acessível desde a tarde do dia em que foi protocolada. Nesse contexto, o vereador afirmou que não houve qualquer situação excepcional envolvendo a divulgação do material. Para ele, uma vez protocolado e disponibilizado no sistema legislativo, o documento já possuía caráter público.

O parlamentar acrescentou que, caso exista entendimento de que esse tipo de denúncia deva permanecer sob sigilo até a emissão do parecer jurídico de admissibilidade, seria necessário discutir alterações no Regimento Interno para estabelecer tal procedimento.

Debate sobre eventual vazamento de informações

O vereador também afirmou que seu esclarecimento tinha como objetivo evitar interpretações de que teria ocorrido vazamento de informações por parte dos vereadores para a imprensa. Segundo ele, a publicidade do documento decorreu de sua própria tramitação administrativa dentro da Câmara Municipal, não havendo elementos que indiquem ação deliberada de parlamentares para promover a divulgação do conteúdo. Por fim, declarou que não considera que a divulgação tenha prejudicado o andamento do processo e destacou que, caso haja necessidade de aperfeiçoar os procedimentos internos, a Câmara poderá discutir eventuais mudanças. Ainda assim, ressaltou que, desde o início de seu mandato, esse tem sido o procedimento adotado pela Casa Legislativa.

Detalhes

O requerimento que pede a instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar possíveis irregularidades administrativas na Secretaria Municipal de Planejamento Urbano. O documento foi protocolado por sete vereadores e tem como foco denúncias de favorecimento na análise e aprovação de projetos arquitetônicos e urbanísticos.

  • Alexandre Zoche;
  • Anne Cristine Gomes da Silva Cavali;
  • Diogo Domingos Grando;
  • Joecir Bernardi;
  • Lindomar Rodrigo Brandão;
  • Rafael Foss;
  • Thania Maria Caminski Gehlen.

Segundo o requerimento, os parlamentares receberam denúncias de que determinados profissionais da área de arquitetura e engenharia teriam sido beneficiados com aprovações mais rápidas, em suposta violação à ordem cronológica de protocolo dos processos. O texto aponta ainda reclamações sobre a demora enfrentada por outros profissionais, cujos projetos permaneceriam em análise por períodos significativamente maiores.

Os autores afirmam que a investigação ganhou força após o vereador Lindomar Rodrigo Brandão obter acesso ao sistema eletrônico 1Doc, utilizado pela prefeitura para tramitação dos processos. Conforme o documento, a consulta permitiu identificar indícios que, na avaliação dos vereadores, justificam a abertura da CEI. Entre eles estão aprovações realizadas em poucas horas após o protocolo, enquanto outros processos protocolados em datas e horários próximos teriam aguardado semanas para análise.

O requerimento também cita possíveis casos de avocação indevida de competência pelo secretário da pasta, com aprovações diretas sem a participação prévia de servidores técnicos responsáveis pela análise dos projetos. Os vereadores sustentam ainda que foram encontrados casos de aprovações em horários noturnos, fins de semana e situações que indicariam descumprimento de parâmetros urbanísticos e documentais previstos na legislação municipal.

Outro ponto destacado no pedido é a existência de processos que, segundo os autores, teriam sido aprovados sem a verificação integral dos arquivos técnicos anexados ao sistema, o que levantaria dúvidas sobre a efetiva análise de conteúdo antes da emissão das autorizações.

Após instalada, a CEI terá prazo inicial de 90 dias para conduzir os trabalhos. Entre as atribuições previstas estão a análise de processos registrados no sistema 1Doc, a requisição de documentos, a convocação de servidores e agentes públicos para prestar esclarecimentos e, ao final, o eventual encaminhamento das conclusões ao Ministério Público. O próprio requerimento determina que, após a análise jurídica de admissibilidade, o pedido seja lido na primeira sessão ordinária seguinte, etapa que deve ocorrer na reunião legislativa desta segunda-feira.   Clique aqui e confira o teor do requerimento.

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