Dimensionamento do Projeto e Exigências Técnicas
O secretário de Planejamento Urbano de Pato Branco, Emerson Michelin, explicou que o projeto do novo terminal aeroportuário foi inicialmente concebido com uma área de aproximadamente 1.800 metros quadrados. A intenção, naquele momento, era evitar um impacto financeiro excessivo para o município. No entanto, já na primeira reunião com a Infraero, a proposta foi considerada insuficiente. Segundo o secretário, a operação simultânea de duas aeronaves no pátio pode resultar em cerca de 280 passageiros. Por essa razão, a área de embarque precisaria comportar, no mínimo, 300 pessoas, exigência que inviabilizou o projeto inicial e levou à necessidade de ampliação do terminal.
Opção por Dois Pavimentos e Relação com a Pista
Diante dessas exigências, o município optou por um terminal com dois pavimentos. Essa solução permite que o embarque ocorra diretamente no nível da pista, enquanto o desembarque seja direcionado para o pavimento inferior, com saída pela rampa até a área de chegada. Um dos pontos que gerou questionamentos da comunidade foi o afastamento do novo terminal em relação à pista. Emerson Michelin esclareceu que essa decisão foi técnica. A cauda das aeronaves da Embraer, com cerca de 14 metros de altura, interferia na rampa de aproximação. Para atender às normas de segurança, foi necessário afastar o terminal aproximadamente 200 metros. Além disso, a inclinação da taxiway não pode ultrapassar 1%, o que obrigou o reposicionamento do terminal em um nível mais baixo em relação à pista.
Estacionamento e Custos para o Município
Outro aspecto discutido foi a ausência de estacionamento no projeto inicial. O secretário relatou sua experiência de dois anos atuando no aeroporto, período em que foi possível constatar que o estacionamento representa um custo elevado para o município. Passageiros costumam deixar seus veículos por vários dias, e qualquer eventual dano ou problema recai sobre a responsabilidade da administração pública. Diante disso, optou-se, neste primeiro momento, por não incluir estacionamento no projeto, priorizando a viabilidade financeira e operacional do empreendimento.
Execução do Projeto em Etapas
O projeto do novo terminal será executado em duas ou três etapas. A primeira fase contempla exclusivamente a construção da edificação do terminal. Em seguida, será implantada a taxiway, etapa que exige a consolidação dos acessos viários e o fechamento da Rua José Leonardo. A terceira fase prevê a transferência definitiva das operações para o novo terminal, incluindo a demolição do terminal antigo, que atualmente se encontra em condições precárias, e a adequação dos sistemas de balizamento.
Acessos Viários e Aviação Executiva
A questão dos acessos ao aeroporto foi apontada como uma das principais preocupações da população. Segundo Michelin, estão sendo estudadas diversas alternativas, inclusive com a previsão de dois novos roteamentos pelo lado oposto da área atual, já com exigências específicas de acesso. Também houve forte demanda relacionada aos hangares e à aviação executiva. Para atender esse segmento, o município conseguiu ampliar em cerca de 20 metros uma área próxima ao clube de aviação, possibilitando a implantação de uma taxiway destinada aos hangares. A administração reconhece o crescimento da aviação executiva e a procura por espaços para instalação de novos hangares.
Estudo de Impacto e Participação da Comunidade
Durante a audiência, foi reforçado que o estudo de impacto de vizinhança não tem caráter de aprovação ou reprovação do projeto, mas sim de diagnóstico. O estudo aponta aspectos positivos e negativos, indicando o que deve ser mantido e o que precisa ser corrigido ou mitigado durante a execução da obra. Para ampliar a participação popular, foi disponibilizado um QR Code para que a comunidade possa enviar sugestões, dúvidas e contribuições, que serão incorporadas ao estudo. Segundo os organizadores, o objetivo é promover uma discussão democrática, como deve ocorrer em toda audiência pública.
Infraestrutura Viária e Prioridades de Investimento
Durante o debate, foi destacado que o município precisará se debruçar com mais profundidade sobre a infraestrutura viária do entorno do aeroporto, inclusive avaliando a necessidade de novos investimentos com recursos próprios ou futuros financiamentos. A avaliação é de que existe uma infraestrutura mínima necessária para que o projeto do novo terminal possa funcionar de forma adequada. Foi informado que as ruas João Penso, José Morelato e a via que dá acesso à Alutech já estão previstas para pavimentação ainda neste ano. No entanto, participantes da audiência sugeriram que o município estruturasse um programa específico para tratar das deficiências de mobilidade urbana da região como um todo, e não apenas das vias diretamente ligadas ao aeroporto, já que os problemas de circulação são mais amplos.
Conexões Estratégicas e Novos Loteamentos
A ligação da Rua Belmiro Michelin foi mencionada como estratégica, pois deverá atender também às empresas da região. Há uma área de mata que atualmente interrompe essa continuidade, e o município estuda a edição de um decreto para permitir a extensão da via. Na área próxima à cabeceira do aeroporto, onde atualmente há um triângulo de terra, está previsto um novo loteamento. Nesse local, já será exigida a execução da infraestrutura viária necessária, incluindo a ligação com o Contorno Norte, onde deverá ser implantado um novo trevo. Nesse contexto, foi levantada uma preocupação específica sobre o acesso ao bairro Pagnoncelli, que permanece em condições precárias há cerca de cinco anos.
Acesso ao Bairro Pagnoncelli e Rua Saul Viganó
Ao ser questionado sobre a situação do acesso ao bairro, foi esclarecido que a via atualmente utilizada pela Coohapab não é oficialmente uma rua. Trata-se de um acesso provisório, utilizado por empréstimo, uma vez que a área pertence ao sítio aeroportuário. A solução apresentada pelo município é a abertura de uma nova ligação pela Rua Saul Viganó. Essa via será implantada antes do fechamento do acesso atual, garantindo melhoria na mobilidade dos moradores. Segundo a explicação técnica, a nova rua fará uma ligação paralela, passando cerca de duas quadras abaixo da região da Zanonage, com uma curva de integração ao sistema viário existente. Foi ressaltado que a execução dessa ligação viária ocorrerá antes do início das obras do terminal, justamente para evitar o isolamento do bairro.
Relato dos Moradores e Acordos Anteriores
Uma moradora do bairro relatou que vive no local desde a liberação do loteamento, sendo uma das primeiras residentes da área. Segundo seu depoimento, há cinco anos o bairro conta apenas com uma única entrada, sem saída alternativa, o que já causou diversos transtornos. Ela explicou que, na época da implantação do loteamento, houve um acordo com a Coohapab, permitindo o uso provisório da área para acesso, já que a abertura de uma nova rua exigiria desapropriações e investimentos elevados. Esse acordo foi feito em função do caráter social do empreendimento. Em resposta, a administração municipal reafirmou que a nova ligação pela Rua Saul Viganó será executada e que a situação de acesso do bairro será efetivamente melhorada.
Integração com o Asfalto do Paulo Afonso
Foi destacado ainda que o asfaltamento vindo da região do Paulo Afonso já está concluído e que haverá uma ligação direta com a Rua Saul Viganó. Além disso, futuros loteamentos na área deverão implantar novas descidas e conexões viárias, o que permitirá a ligação de pelo menos três ruas diretamente ao loteamento. Essa ampliação da malha viária foi considerada essencial para distribuir melhor o fluxo de veículos e reduzir os gargalos atualmente existentes.
Mobilidade Urbana Regional e Barreiras Físicas
O debate avançou para uma análise mais ampla da mobilidade urbana da região. Foi apontado que existem áreas próximas à BR-158 ocupadas por chácaras que, apesar de estarem em processo de urbanização, ainda não permitem a abertura de novas ruas, criando uma barreira física entre a rodovia e o aeroporto. Além disso, a antiga BR-158, agora municipalizada como Avenida Frei Policarpo, ainda funciona como uma barreira de difícil transposição. Com a municipalização, a expectativa é reduzir a velocidade do tráfego e permitir a criação de vias marginais e ligações mais diretas, inclusive utilizando os espaços sob os viadutos existentes. Foi destacado que os três viadutos previstos, que deverão contribuir significativamente para a melhoria da circulação urbana.
Questionamentos sobre o Trânsito e o Estudo de Impacto
A moradora Ilda Weirich, do bairro Pagnoncelli, reforçou as dificuldades enfrentadas devido às más condições das vias públicas e questionou se o novo terminal também terá ligação com a região da Independência. O secretário respondeu que essa possibilidade já está sendo estudada, inclusive considerando a ampliação da pista e o uso de plataformas de concreto para permitir novas conexões viárias.
Posicionamento do Legislativo e Licitação da Obra
O vereador Lindomar Brandão apresentou quatro questionamentos, iniciando pela preocupação com o trânsito no entorno do aeroporto. Segundo ele, as informações apresentadas indicam que muitas soluções ainda estão em fase de estudo, o que gera insegurança, considerando que a audiência pública trata justamente do estudo de impacto de vizinhança. O parlamentar questionou se já existem projetos definidos ou processos de licitação em andamento, destacando que há diversas áreas no entorno classificadas como pré-loteamentos, o que torna o cenário ainda indefinido. Em resposta, foi esclarecido que o estudo de impacto de vizinhança foi elaborado com base na situação atual, mas que o município já possui projetos de pavimentação e novas ligações viárias em andamento. Ressaltou-se que nenhuma obra será iniciada sem que os acessos estejam previamente executados.
Cronograma, Obras e Papel da Mobilidade Urbana
Sobre a licitação da obra do terminal, foi informado que ela será lançada após a conclusão formal do estudo de impacto de vizinhança, exigência da nova legislação. Assim que a licitação for publicada, as obras poderão começar. O vereador manifestou preocupação com os transtornos que poderão ser enfrentados pelos moradores dos bairros Aeroporto, Independência e Fraron, especialmente considerando que a municipalização da Avenida Frei Policarpo já vem causando impactos significativos.
A administração reforçou que a Rua José Leonardo não será fechada de imediato e que o fechamento só ocorrerá após a conclusão da obra do terminal, quando as novas ligações já estiverem operacionais, seja pela Rua Saul Viganó ou por acessos alternativos pela parte posterior da via. Por fim, foi solicitado o posicionamento oficial da recém-criada Secretaria de Mobilidade e Transportes sobre o estudo de impacto de vizinhança. A resposta foi que o material já foi encaminhado à secretaria, que também passará a administrar o aeroporto, e que o município aguarda contribuições técnicas adicionais da pasta.
Avaliação da Secretaria de Mobilidade e Integração Institucional
Ao final da rodada de questionamentos, foi solicitada de forma explícita a manifestação oficial da recém-criada Secretaria de Mobilidade e Transportes a respeito do estudo de impacto de vizinhança. A preocupação apresentada foi de que, além do planejamento urbano e da execução da obra do terminal, a gestão do trânsito e da mobilidade no entorno do aeroporto exige uma análise técnica integrada e institucional. Em resposta, foi informado que o estudo de impacto de vizinhança já foi encaminhado à Secretaria de Mobilidade e Transportes, que também passará a ter atribuições relacionadas à administração do aeroporto. Segundo o secretário de Planejamento, houve inclusive contato direto com o responsável técnico da pasta, solicitando os dois volumes referentes ao plano de mobilidade urbana, documentos considerados fundamentais para complementar a análise do impacto viário do novo terminal.
Essa integração entre planejamento urbano, mobilidade e infraestrutura aeroportuária foi destacada como essencial para garantir que as decisões relacionadas ao novo terminal não ocorram de forma isolada, mas alinhadas às diretrizes mais amplas de circulação, acessibilidade e desenvolvimento urbano do município.

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