Coleta de lixo é apontada como uma das principais preocupações da população de Pato Branco

Depois da saúde pública — considerada uma área inquestionável — a coleta de lixo tem se consolidado como uma das maiores preocupações da população de Pato Branco. O problema envolve tanto a coleta de resíduos orgânicos quanto a de materiais recicláveis e tem gerado reclamações recorrentes em diversos bairros do município. Durante sessão legislativa, o vereador Lindomar Brandão destacou a gravidade da situação e informou que apresentou dois requerimentos oficiais solicitando apoio político e institucional. Um dos pedidos foi encaminhado ao deputado estadual Guerra, e o outro à deputada federal Leandre Dal Ponte, com o objetivo de viabilizar recursos por meio de emendas parlamentares ou a destinação direta de veículos para a coleta de recicláveis, seja via Governo do Estado ou por outras fontes.

Frota sucateada compromete a coleta de recicláveis

Segundo o vereador, as dificuldades enfrentadas pela cooperativa responsável pela coleta de recicláveis estão diretamente ligadas à precariedade da frota. Em conversas frequentes com o  responsável pela cooperativa, Lindomar relata que recebe quase semanalmente retornos sobre problemas mecânicos, acompanhados inclusive de vídeos que mostram caminhões quebrados ou fora de operação. Os veículos utilizados atualmente, conforme relatado, já eram considerados quase inservíveis quando pertenciam à própria Prefeitura, o que torna natural a ocorrência constante de falhas e a necessidade frequente de manutenção. Esse cenário tem impactado diretamente a regularidade do serviço prestado à população.

Reclamações da comunidade e esclarecimentos sobre a cooperativa

As falhas na coleta têm provocado críticas intensas por parte dos moradores, especialmente em grupos de WhatsApp dos bairros. O vereador relatou que chegou a atuar como uma espécie de “advogado” da cooperativa nessas discussões, buscando esclarecer a real origem do problema. De acordo com ele, a insatisfação da população é compreensível, já que o material reciclável permanece em frente às residências por dois ou três dias sem recolhimento. Como a coleta ocorre apenas uma vez por semana, quando ela não é realizada, o lixo acaba ficando acumulado até a semana seguinte.

No entanto, Lindomar enfatizou que a situação não decorre de má vontade da cooperativa. Pelo contrário: quanto mais material reciclável é recolhido, maior é a arrecadação obtida com a venda desses resíduos. O problema, segundo ele, está na falta de ferramentas adequadas, especialmente caminhões, estrutura e maquinário. Para o vereador, a ausência de veículos é hoje o principal fator que compromete o serviço.

Coleta de lixo orgânico também enfrenta paralisações

Além da coleta de recicláveis, a coleta de lixo orgânico também tem sido afetada por falhas operacionais. O vereador relatou que conversou com um servidor municipal e foi informado de que um caminhão ficou parado porque estava em uma borracharia para a troca de um pneu furado. O serviço, no entanto, não foi realizado por falta de pagamento ou crédito junto ao estabelecimento. Para Lindomar Brandão, o episódio evidencia um quadro preocupante de gestão. “Por causa de um pneu furado e da falta de crédito na borracharia, o caminhão ficou parado”, destacou, questionando até que ponto a administração municipal chegou. Segundo ele, a situação exige solução urgente.

Terceirização segue sem estudos concretos

O vereador também criticou a falta de avanços em relação à possível terceirização da coleta de lixo. Apesar do tema ser frequentemente mencionado, até o momento não foram apresentados estudos técnicos, dados financeiros ou informações concretas que embasem essa alternativa. Enquanto isso, a população segue pagando a taxa de lixo e enfrentando problemas recorrentes no serviço. As reclamações, conforme relatado, não se limitam a um único bairro, mas se repetem em diferentes regiões da cidade, caracterizando um problema generalizado.

Atuação da Secretaria e ações emergenciais

Apesar das críticas, Lindomar Brandão fez questão de registrar agradecimento ao secretário Vicente e à sua equipe. Segundo ele, sempre que demandas pontuais são encaminhadas, a Secretaria tem buscado resolver os problemas. No entanto, o trabalho acaba se resumindo a ações emergenciais, com a equipe “apagando incêndios”, já que o problema estrutural afeta toda a cidade.

Notificações de terrenos e fiscalização

Outro tema abordado foi a questão das notificações de terrenos em situação irregular. O vereador afirmou que tem incentivado os moradores a registrarem as reclamações por meio da ouvidoria, para que os casos sejam formalizados e fiscalizados. Sobre a possibilidade de uma notificação coletiva em toda a cidade, Lindomar afirmou não ser contrário à ideia e considerou a medida positiva. No entanto, manifestou preocupação com a capacidade da Prefeitura de dar encaminhamento adequado a todas as notificações, garantindo tratamento igualitário. Segundo ele, se todos forem notificados, todos devem ser vistoriados, acompanhados e, se necessário, multados. Notificar coletivamente e fiscalizar apenas parte dos imóveis seria injusto. Para o vereador, a intenção não deve ser punir, mas resolver o problema de forma eficaz e isonômica.

Prefeitura também precisa dar o exemplo

Por fim, Lindomar Brandão destacou que existem centenas de imóveis pertencentes à própria Prefeitura que se encontram em condições iguais ou até piores do que muitos imóveis particulares. Essa situação, segundo ele, também precisa ser verificada e corrigida. “O poder público precisa fazer o dever de casa antes de cobrar da população”, concluiu.

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