Com a virada do ano, o mês de janeiro se transforma em um convite à reflexão. Não apenas sobre metas e novos começos, mas, principalmente, sobre o cuidado com aquilo que costuma ser silenciado: a saúde mental. Criada para sensibilizar a sociedade sobre o tema, a campanha Janeiro Branco vem se consolidando como um movimento essencial para estimular diálogos, superar tabus e mostrar que pedir ajuda não é fraqueza, mas um gesto de coragem.
Grande parte das pessoas enfrenta, ao longo da vida, algum nível de sofrimento psíquico, seja por ansiedade, estresse, lutos, sobrecarga profissional ou dificuldades nos relacionamentos. O problema surge quando esses sinais são ignorados ou minimizados. A psicóloga e docente do curso de Psicologia da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Suzane Skura, destaca que a prevenção começa com a compreensão de que emoções precisam ser acolhidas. “Quando nomeamos aquilo que sentimos, criamos possibilidade de vida e conexão. Ao expressar nossas dores, medos e angústias, abrimos espaço para cuidado, apoio e intervenções que podem impedir que o sofrimento se intensifique. Já o silêncio, muitas vezes, faz crescer aquilo que poderia ser acolhido e manejado. Falar é um ato de coragem e também de cuidado consigo mesmo”, explica psicóloga e docente da Afya.
Para a psicóloga, a sociedade ainda carrega a ideia de que demonstrar fragilidades é sinal de fraqueza, o que impede muitas pessoas de procurar ajuda. “Precisamos entender que cuidar da saúde mental não é um privilégio, é uma necessidade humana. Assim como acolhemos uma dor física, também precisamos reconhecer e cuidar da dor emocional. Buscar apoio profissional, seja com psicólogo ou psiquiatra, é um gesto de responsabilidade e cuidado, é um passo consciente na direção de uma vida com mais presença e bem-estar”, afirma Suzane.
A campanha Janeiro Branco também chama atenção para a importância das redes de apoio. Conversas francas entre amigos e familiares, ambientes de trabalho que respeitam limites e escolas que acolhem emoções fazem parte desse movimento de cuidado coletivo. A especialista ressalta que perceber mudanças no comportamento de alguém próximo, como, por exemplo, isolamento, irritabilidade ou desânimo constante pode ser decisivo para intervir a tempo. De acordo com Suzane, pequenas atitudes têm grande impacto. “Quando perguntamos ‘como você está?’ e realmente escutamos a resposta, criamos uma ponte. Essa escuta ativa pode evitar que a pessoa se sinta sozinha e sem alternativas. Falar sobre emoções salva vidas porque abre caminhos, cria possibilidades e fortalece quem precisa”, acrescenta a psicóloga.
Ao longo de janeiro, instituições de saúde, escolas e organizações promovem ações educativas, rodas de conversa e campanhas informativas. Mas a mensagem central permanece atual durante todo o ano: cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo, e a empatia continua sendo um dos instrumentos mais poderosos de prevenção. O Janeiro Branco lembra que ninguém precisa enfrentar suas batalhas silenciosamente. Informar-se, acolher, escutar e buscar ajuda são passos que transformam vidas e podem, literalmente, salvá-las.

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