Durante pronunciamento na Câmara, o vereador Alexandre Zoche manifestou forte preocupação com os sucessivos atrasos no repasse de emendas impositivas destinadas a entidades esportivas do município. Segundo ele, a demora na liberação dos recursos tem causado sérios prejuízos às associações, comprometendo o funcionamento de projetos e eventos planejados ao longo do ano.
Oito meses de atraso e incerteza no pagamento
Zoche relatou que o setor esportivo esperou oito meses para que o chamamento público finalmente saísse do papel. O primeiro pagamento parcial foi efetuado apenas em setembro, e o segundo, que deveria ter sido realizado até o 15º dia útil de outubro, ainda não havia sido pago até o dia 29. “Emendas impositivas celebradas tinham prazo até o dia 5 para serem pagas e não foram. O que vai acontecer com as entidades?”, questionou o vereador, destacando que muitos projetos já estavam em andamento e dependiam desses recursos para cobrir despesas programadas. Segundo ele, algumas associações participaram de competições no fim de semana contando com os valores das emendas, mas, sem o repasse, tiveram de arcar com os custos por conta própria. “O que passou já não pode ser pago com recurso público”, alertou.
Entidades recorrem a sacrifícios pessoais
Zoche relatou casos preocupantes de dirigentes que recorreram a medidas extremas para manter as entidades em funcionamento. “Tem associação que o presidente colocou o carro pessoal à venda para pagar contas. Isso é um descaso com as entidades e com o recurso público, é inadmissível”, afirmou.
O vereador cobrou do Executivo uma postura clara: ou o município assume o compromisso de cumprir os prazos estabelecidos, ou comunica oficialmente a suspensão dos repasses. “Fazer isso com as entidades é um desrespeito”, completou.
Descompasso entre exigências e prática do poder público
Outro ponto criticado foi a incoerência entre a rigidez cobrada das entidades e a falta de pontualidade do próprio poder público. Zoche lembrou que, caso as associações atrasem um dia sequer na prestação de contas, sofrem bloqueios imediatos — enquanto o município acumula atrasos sem justificativa plausível. “Isso revolta todo mundo. Oitenta por cento das entidades esportivas são formadas por voluntários, e estão quase chegando ao ponto de vender bens pessoais para honrar compromissos assumidos acreditando no repasse municipal”, lamentou.
Reação e cobrança de responsabilidade
O vereador afirmou que, diante da situação, as entidades voltam a depender de ações beneficentes como rifas e jantares para cobrir gastos, o que não deveria ser necessário em um sistema de emendas regulamentado por lei. “Temos leis federal e municipal que disciplinam o pagamento das emendas. Se o prefeito decidir não repassar, que assuma oficialmente essa decisão. Mas, se o compromisso foi assumido, que cumpra os prazos legais”, reforçou.
Zoche encerrou seu pronunciamento cobrando mais seriedade, honestidade e competência na gestão dos recursos públicos. “Não façam das pessoas que estão lá de palhaços. Se as informações que estamos recebendo forem verdadeiras, o Ministério Público terá de agir com firmeza. A parte do município precisa ser cuidada com responsabilidade”, concluiu.

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