O número de brasileiros com Alzheimer cresce de forma acelerada. Estima-se que cerca de 1,2 milhão de pessoas convivam hoje com a doença, segundo dados do Ministério da Saúde. A cada ano, são registrados aproximadamente 100 mil novos casos, e as projeções indicam que esse número pode ultrapassar 5,5 milhões até 2050, se não houver ações eficazes de prevenção e diagnóstico precoce. O Alzheimer é responsável por cerca de 70% dos casos de demência no país. Ainda assim, entre 75% e 95% dos diagnósticos deixam de ser feitos, dependendo da região, o que revela um grave problema de subnotificação. “Só 20% dos casos são diagnosticados. E a gente nem está falando de diagnóstico no tempo adequado, porque isso é ainda mais raro”, afirma o neurologista e docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Dr. Vinicius Oliveira Rocha Rodrigues.
O Alzheimer é uma doença progressiva e degenerativa, caracterizada pela perda de memória e de outras funções cognitivas. Os sintomas costumam evoluir lentamente, o que dificulta o diagnóstico precoce. Em muitos casos, a perda de memória é atribuída de forma equivocada ao envelhecimento natural, atrasando o início do tratamento e o acompanhamento especializado. O médico destaca a necessidade de capacitar equipes da atenção básica para identificar os sinais iniciais, como lapsos de memória, desorientação e alterações de comportamento. “Quanto antes o diagnóstico for feito, mais tempo é possível preservar a autonomia e a qualidade de vida do paciente”, acrescenta o Dr. Vinícius.
Cuidados paliativos e o papel da família
Os cuidados paliativos são fundamentais para quem vive com Alzheimer, mesmo nas fases iniciais. O conceito vai além do tratamento médico e inclui suporte emocional, social e espiritual ao paciente e à família. “É preciso entender que cuidados paliativos não significam desistência do tratamento, mas uma forma de garantir conforto e dignidade em todas as fases da doença”, explica o médico neurologista.
Entre os desafios estão a dificuldade de comunicação, os problemas de alimentação e o desgaste emocional de quem cuida. A sobrecarga dos cuidadores é um dos principais problemas relatados, especialmente quando há falta de estrutura e apoio psicológico.
É possível prevenir o Alzheimer?
Embora não exista cura, estudos mostram que alguns hábitos podem reduzir o risco de desenvolver a doença ou retardar sua progressão. Entre as medidas recomendadas estão:
- Manter alimentação equilibrada e rica em vegetais, grãos e peixes;
- Praticar atividade física regularmente;
- Controlar hipertensão, diabetes e colesterol;
- Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool;
- Estimular o cérebro com leitura, estudos e novas aprendizagens;
- Manter interações sociais e atividades em grupo;
- Proteger e tratar problemas auditivos, já que a perda de audição é considerada um fator de risco.
“O cérebro precisa ser estimulado constantemente. Atividades intelectuais, convívio social e controle das doenças crônicas são aliados poderosos na prevenção”, pontua o Dr. Vinicius.
Desafios e perspectivas
O profissional avalia que o país precisa investir mais em políticas públicas integradas que envolvam saúde, educação e assistência social. Isso inclui desde campanhas de conscientização até a ampliação de serviços especializados e o apoio aos cuidadores. “O enfrentamento ao Alzheimer exige um olhar coletivo e contínuo. Embora o diagnóstico ainda seja um desafio, a informação e o cuidado integral representam o caminho mais eficaz para garantir vida com mais autonomia e dignidade às pessoas que convivem com a doença”, completa o médico e docente da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Dr. Vinicius.

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