Durante sessão na Câmara Municipal de Pato Branco, vereadores e a secretária de Saúde, Márcia Fernandes Carvalho, protagonizaram um intenso debate sobre a atual situação da saúde pública no município. O principal ponto de discordância foi a falta de profissionais em áreas estratégicas, como o setor de radiologia, além de questionamentos sobre a utilização de equipamentos médicos e o planejamento da gestão.
Falta de Profissionais e Equipamentos Ociosos
O vereador Rodrigo Correia destacou a ausência de técnicos de radiologia, o que tem deixado equipamentos de raio-x sem uso no período da tarde. Segundo ele, há profissionais aprovados em concurso aguardando convocação, mas a secretaria mantém a previsão apenas para o próximo ano. A secretária Márcia respondeu afirmando que existe um planejamento com prioridades definidas, contemplando diversas áreas da saúde. No entanto, o vereador rebateu, alegando que o cronograma representa um desrespeito à população, especialmente quando cargos comissionados são preenchidos semanalmente, enquanto profissionais concursados permanecem sem nomeação.
Planejamento x Urgência
Márcia defendeu que a gestão vem estruturando serviços desde o início do mandato, mas reforçou que a execução depende de condições físicas e orçamentárias. Correia, por outro lado, questionou a demora na implementação, afirmando que o planejamento não tem saído do papel e que a população sofre com a falta de atendimento imediato. Um dos pontos mais polêmicos foi a demora na manutenção de um equipamento da UPA que ficou inoperante, gerando reclamações da comunidade. Segundo a secretária, o problema ocorreu devido ao vencimento do contrato de manutenção, que precisou ser renovado. A justificativa foi criticada pelo vereador, que ressaltou falhas na gestão administrativa.
O Caso do Mamógrafo
Outro tema levantado foi o mamógrafo doado pela iniciativa privada, por meio da Frente Pato Branco, que custou cerca de R$ 440 mil, valor arrecadado com apoio de vereadores. O equipamento ainda não está em funcionamento. Enquanto a gestão anterior considerava o aparelho fundamental, a secretária Márcia afirmou que, analisando os números atuais, não há necessidade de utilizá-lo no momento. A resposta gerou estranheza no plenário, diante do investimento e da demanda existente por exames preventivos.
População em Alerta
O vereador Correia reforçou que a saúde de Pato Branco vive uma situação de alerta. Ele afirmou que muitas pessoas, como a cidadã presente no plenário, dona Amélia, têm se queixado do atendimento. Comparando com a gestão anterior, destacou que, apesar de dívidas herdadas, os serviços eram mais efetivos e as reclamações menos frequentes. A secretária rebateu, alegando que não recebe tantas críticas diretamente e que existem canais oficiais de ouvidoria para registrar reclamações. O vereador, entretanto, afirmou que basta estar presente na secretaria e atender a população para perceber o volume de insatisfações.
Conclusão: Saúde em Xeque
O debate evidenciou divergências entre o Legislativo e a Secretaria de Saúde de Pato Branco quanto às prioridades, à execução do planejamento e à real situação dos serviços oferecidos à população. Enquanto a gestão insiste no discurso de planejamento e estruturação, vereadores e cidadãos apontam para a urgência de medidas práticas e imediatas. Em meio a equipamentos parados, profissionais aguardando convocação e uma população que se sente desassistida, a saúde pública do município segue no centro das atenções — e das críticas.

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