A entrega da Medalha de Honra ao Mérito Pato-branquense a Jaqueline Zandonay, realizada no Plenário da Câmara Municipal de Pato Branco, foi marcada por um pronunciamento de agradecimento e reflexão sobre o papel da educação, da cultura e da participação coletiva na transformação da sociedade. Diante de familiares, amigos, educadores, representantes de instituições e integrantes de diferentes manifestações artísticas e culturais, Jaqueline compartilhou lembranças de sua trajetória pessoal, reconheceu a contribuição das pessoas que a acompanharam ao longo da vida e apresentou reflexões sobre cidadania, democracia, justiça social e preservação ambiental.
A homenageada também agradeceu à vereadora Thania C aminski, responsável pela homenagem, à sua assessoria e aos profissionais envolvidos na organização da solenidade. Em diversos momentos, ressaltou que o reconhecimento recebido não representa apenas uma conquista individual, mas também o resultado de uma caminhada construída coletivamente.
Gratidão aos familiares, amigos e representantes da comunidade
Ao iniciar o pronunciamento, Jaqueline demonstrou emoção ao encontrar no plenário pessoas que fizeram parte de sua trajetória. Ela agradeceu pela presença dos convidados e destacou representantes da Liga de Amigos de Pato Branco (LAP), da PP, dos Dragões, das redes pública e privada de ensino e de diferentes grupos ligados à arte e à cultura no município e na região. Também cumprimentou as autoridades presentes, a vereadora Thania Maria Caminski, os profissionais da Câmara Municipal e representantes da Secretaria Municipal da Mulher, da Secretaria Municipal de Educação e Cultura e do Departamento Municipal de Cultura.
A homenageada estendeu seus cumprimentos aos familiares e amigos que compareceram à cerimônia e àqueles que, por diferentes motivos, não puderam estar presentes. Também agradeceu às pessoas que acompanhavam a solenidade pela transmissão no YouTube. Em sua fala, Jaqueline ressaltou que a emoção daquele momento estava relacionada à caminhada compartilhada com tantas pessoas. Segundo ela, as conquistas individuais são resultado de relações de apoio, afeto, aprendizado e colaboração.
Mãe e pai foram lembrados como referências de vida
Um dos trechos mais pessoais do discurso foi dedicado aos pais. Jaqueline manifestou gratidão à mãe, a quem definiu como sua primeira professora, lembrando os esforços que ela fez para estudar e buscar oportunidades de formação. Ao recordar o pai, já falecido, destacou que ele foi impedido de frequentar a escola. Segundo relatou, foi a esposa quem lhe ensinou a escrever, enquanto as histórias que ele contava à filha contribuíram para despertar sua paixão pela leitura. A homenageada também dedicou palavras de carinho aos filhos, a quem descreveu como companheiros na jornada da vida. Ela utilizou a imagem de uma estrutura triangular para expressar a união e a firmeza dos vínculos familiares.
Jaqueline mencionou ainda o irmão Ricardo, a cunhada Bianca e os familiares Rafael e Leonardo, ressaltando que a presença deles era especial mesmo diante da distância geográfica. Ao lembrar o irmão Renato, manifestou sua saudade e reafirmou o valor dos laços familiares. Para ela, compartilhar o afeto e o bem-querer é uma das formas de fortalecer as relações humanas e reconhecer a importância de cada pessoa na construção de uma história.
Homenagem representa reconhecimento e compromisso
Ao agradecer à vereadora Thania Caminski Jaqueline destacou a dimensão do convite e a importância do reconhecimento concedido pelo Legislativo municipal. Ela também agradeceu à assessora da parlamentar e a todas as pessoas que contribuíram, direta ou indiretamente, para a realização da solenidade. A homenageada afirmou que recebeu a medalha com emoção e senso de responsabilidade. Em seu entendimento, a honraria está relacionada não apenas à sua atuação profissional, mas também às diversas dimensões de sua identidade: mulher, mãe solo, filha, amiga, familiar, vizinha, professora, empreendedora e colega de trabalho.
Ao refletir sobre esses diferentes papéis, citou o filósofo Mikhail Bakhtin para defender que a identidade humana se constrói na relação com os outros. A partir dessa perspectiva, explicou que reconhece parte de si nas pessoas com quem convive e nas experiências que compartilha com a comunidade. A mensagem central foi a de que ninguém constrói sua trajetória isoladamente. As experiências pessoais e profissionais se desenvolvem por meio de relações, oportunidades, responsabilidades e aprendizados compartilhados.
Educação, diálogo e solidariedade como instrumentos de transformação
Em seu pronunciamento, Jaqueline recorreu ao pensamento do educador Paulo Freire para destacar que o ser humano não apenas existe no mundo, mas participa ativamente dele, relacionando-se com outras pessoas e com a realidade ao seu redor. Como educadora, defendeu a importância de pensar, escutar, pesquisar, desenvolver o sentimento de pertencimento e acolher divergências construtivas. Para ela, os conflitos podem contribuir para o amadurecimento coletivo quando são tratados por meio do diálogo e convertidos em ações concretas voltadas à vida em sociedade.
A homenageada também mencionou o legado do educador e matemático Ubiratan D’Ambrosio, associando suas reflexões à importância de saber observar, esperar, conversar, amar e demonstrar afeto. Ao recorrer ao pensamento do filósofo Martin Heidegger, aprofundou a reflexão sobre a escuta. Segundo a interpretação apresentada, ouvir verdadeiramente exige investigar, refletir, compreender o contexto da fala e incorporar aquilo que foi aprendido à própria maneira de agir. Jaqueline ressaltou que o diálogo precisa produzir mudanças nas relações humanas. Nesse sentido, defendeu que a arrogância, a inveja e a prepotência deem lugar ao respeito pelas diferenças, à solidariedade e à cooperação na preservação do patrimônio comum.
Respeito às diferenças e igualdade de direitos
Outro eixo importante do discurso foi a defesa de uma sociedade que reconheça a dignidade de todas as pessoas, independentemente de suas características individuais ou condições de vida. Jaqueline afirmou que a maneira como cada pessoa olha para o outro influencia diretamente a construção das relações sociais. Em sua avaliação, quando preconceitos relacionados à cor, raça, condição socioeconômica, religião, sexualidade ou gênero deixam de determinar a forma de tratar alguém, torna-se possível reconhecer a humanidade compartilhada. A homenageada defendeu uma vida orientada pela simplicidade e pelo compromisso com a igualdade de direitos, sem desconsiderar as diferenças existentes entre as pessoas. Para ela, o respeito à diversidade deve ser acompanhado de atitudes concretas de inclusão, solidariedade e cooperação, contribuindo para uma convivência mais justa e para o fortalecimento dos vínculos comunitários.
Cidadania planetária e preservação ambiental
Jaqueline também ampliou suas reflexões para a relação entre a humanidade e o planeta. Ao mencionar estimativas de aproximadamente 8,5 milhões de espécies existentes no mundo biológico, abordou a diversidade da vida e a responsabilidade humana diante dos ecossistemas. A referência foi associada ao trabalho do pesquisador Carlos Pedrosa e a conteúdos difundidos por instituições e canais de divulgação científica, incluindo o Instituto Humanitas Unisinos.
Segundo a homenageada, a dimensão da diversidade biológica ajuda a compreender a fragilidade da espécie humana e a responsabilidade de preservar o território em que vivemos. Ela defendeu a ideia de cidadania planetária, baseada na compreensão de que indivíduos, comunidades e natureza estão interligados. Essa perspectiva pressupõe cuidar de si, das outras pessoas e do meio ambiente, reconhecendo que as ações locais também podem produzir consequências mais amplas. Para Jaqueline, a responsabilidade coletiva deve começar pela comunidade em que cada pessoa vive e se estender às questões globais. A busca pela equidade, pela justiça social e pela preservação ambiental precisa orientar tanto as decisões individuais quanto as políticas públicas.
Educação deve fortalecer a democracia e garantir direitos
Ao abordar sua atuação como educadora, Jaqueline afirmou que a educação não pode se limitar à adaptação das pessoas às prioridades políticas e econômicas de cada época. Com base nas reflexões do pesquisador Ole Skovsmose, destacou a importância de uma educação comprometida com a democracia e com a formação crítica dos cidadãos. Essa formação, conforme explicou, envolve diferentes formas de compreender a realidade: a leitura da palavra escrita, dos números, dos dados, das técnicas e das tecnologias, além da capacidade de interpretar criticamente as próprias experiências e o contexto social.
A homenageada ressaltou que a educação deve contribuir para que as pessoas compreendam o mundo em que vivem, participem das decisões coletivas e reconheçam seus direitos. Também defendeu a concretização de políticas públicas voltadas à garantia dos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal, relacionando o processo educativo à construção de uma sociedade mais justa e democrática.
Democratização do conhecimento e responsabilidade científica
Outro ponto central do pronunciamento foi a defesa do acesso livre ao conhecimento. Jaqueline, novamente com referência ao pensamento de Ole Skovsmose, argumentou que o desafio não está apenas em produzir conhecimento, mas também em compreender como ele é obtido e distribuído. Para a homenageada, o saber deve ser tratado como um bem universal, capaz de contribuir para a melhoria das condições de vida e para a preservação de todas as formas de existência.
Ela lembrou que os avanços científicos possibilitaram o desenvolvimento de tratamentos para diversas enfermidades, transplantes, vacinas, ferramentas tecnológicas e meios de transporte, como a aviação. Entretanto, observou que o conhecimento também foi utilizado para produzir instrumentos de destruição, como a bomba atômica, e esteve associado a tragédias históricas, como Auschwitz, além de processos que provocaram a destruição de biomas. A reflexão destacou que o conhecimento, por si só, não determina resultados positivos. Sua contribuição para a humanidade depende das finalidades para as quais é utilizado e da responsabilidade ética de quem o produz e aplica. Jaqueline defendeu, assim, que a ciência e o conhecimento estejam a serviço do cuidado com a vida e da preservação da Terra.
Mudanças permanentes exigem compromisso com a vida
Ao mencionar o pesquisador Nilson Machado e as reflexões do filósofo Heráclito, Jaqueline abordou o caráter permanente das transformações. A imagem do rio, associada ao pensamento de Heráclito, foi utilizada para expressar a natureza dinâmica, diversa e irreversível da vida. A homenageada relacionou essa ideia à necessidade de atualização constante e de abertura para novas formas de compreender e transformar a realidade. Nesse contexto, destacou o trabalho da vereadora Thania Caminski voltado à preservação e ao cuidado com a vida animal em Pato Branco. Segundo Jaqueline, iniciativas dessa natureza demonstram como o compromisso com a vida pode se traduzir em ações concretas no âmbito municipal.
Ela também ressaltou a importância da arte e da cultura e manifestou gratidão pela trajetória de construção do coletivo cultural, reconhecendo a contribuição do grupo para as manifestações culturais da comunidade. Para Jaqueline, a educação, a cultura e a proteção dos seres vivos são caminhos complementares para promover transformações sociais e ampliar a consciência coletiva.
Preocupação com crianças, adolescentes e jovens diante das telas
Na parte final do discurso, Jaqueline manifestou preocupação com os efeitos da presença constante das telas e das tecnologias digitais na sociedade contemporânea. Ela chamou a atenção para o adoecimento de crianças, adolescentes e jovens e defendeu uma reflexão sobre os fatores sociais que influenciam a formação das novas gerações. Segundo a homenageada, crianças, adolescentes e jovens refletem, em parte, a sociedade adulta em que estão inseridos. Por isso, considerou fundamental analisar a responsabilidade dos adultos diante da globalização, das grandes empresas de tecnologia, das redes digitais e da influência dos dispositivos eletrônicos na vida cotidiana.
A reflexão destacou que os adultos participam da formação das novas gerações não apenas pelo que dizem, mas também pelos exemplos que oferecem e pelas atitudes que adotam. Jaqueline ressaltou que crianças, adolescentes e jovens são pessoas confiadas à responsabilidade da sociedade e que sua formação exige atenção, coerência e compromisso ético. Ao retomar uma reflexão de Ubiratan D’Ambrosio, enfatizou que a ética não se estabelece apenas por meio de ensinamentos verbais: ela precisa ser demonstrada nas ações. Para a homenageada, é essencial que exista coerência entre os discursos e as práticas cotidianas.
Discurso terminou com agradecimento e reflexão sobre o aprendizado
Ao encerrar seu pronunciamento, Jaqueline reiterou sua profunda gratidão pelo reconhecimento recebido e pela oportunidade de compartilhar aquele momento com familiares, amigos e representantes da comunidade. A fala reforçou a ideia de que a homenagem representa não apenas uma conquista pessoal, mas também o reconhecimento de uma trajetória construída com a participação de muitas pessoas. Entre as principais mensagens apresentadas estiveram a valorização da família, a importância da educação democrática, o respeito às diferenças, a democratização do conhecimento, a solidariedade, a proteção ambiental e a responsabilidade dos adultos na formação das novas gerações.
Jaqueline concluiu com uma reflexão sobre a necessidade de reconhecer os limites do próprio conhecimento e permanecer aberta ao aprendizado. Ao afirmar que se sentia mais forte e talvez mais feliz, ressaltou a importância de seguir aprendendo e reconhecendo que ainda há muito a compreender. Agradecendo novamente a todos os presentes, encerrou sua fala com uma mensagem de humildade, gratidão e compromisso com a construção coletiva de uma sociedade mais humana, inclusiva e responsável.

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