As altas temperaturas do verão e o período de férias acendem um alerta importante para a população da região Sudoeste do Paraná, especialmente em Pato Branco, que está entre as regionais com maior número de acidentes com aranhas no Estado. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça a necessidade de atenção redobrada para prevenir ocorrências envolvendo animais peçonhentos, principalmente a aranha-marrom (Loxosceles) e a aranha-armadeira (Phoneutria), espécies de maior relevância médica.
Dados preliminares do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) indicam que o Paraná registrou mais de 28 mil acidentes com aranhas entre 2023 e 2025. Nesse período, a 7ª Regional de Saúde de Pato Branco contabilizou 2.087 casos, posicionando-se entre as regionais com maior incidência no Estado e reforçando a importância da prevenção nos municípios do Sudoeste. Segundo o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, os cuidados devem ser contínuos, inclusive dentro das residências. “O calor do verão favorece a movimentação desses animais. Por isso, a prevenção dentro de casa e a atenção no dia a dia são fundamentais para evitar acidentes, especialmente em regiões com maior número de registros, como o Sudoeste”, destacou.
Situação em Pato Branco e no Sudoeste
A maior parte dos acidentes ocorre dentro das casas, cenário comum em municípios da região, onde a aranha-marrom é a principal responsável pelas ocorrências. Pequena e de hábitos noturnos, a espécie não é agressiva e costuma picar apenas quando comprimida contra o corpo, como ao vestir roupas, calçar sapatos ou manusear objetos guardados por longos períodos. Ela se esconde em locais escuros e pouco movimentados, como atrás de móveis, rodapés, quadros e caixas. Já a aranha-armadeira, embora menos frequente nos ambientes domésticos, também representa risco. Conhecida pela agressividade, pode saltar até 40 centímetros quando ameaçada e provoca dor intensa e imediata ao picar. Costuma se abrigar em áreas externas, como bananeiras, entulhos e troncos, mas pode ser encontrada dentro das casas, especialmente em cortinas e calçados.
Sintomas e atendimento
Os sintomas variam conforme a espécie. No caso da aranha-armadeira, a dor é imediata e pode vir acompanhada de náuseas e vômitos. Já a picada da aranha-marrom pode parecer leve no início, mas evoluir horas depois para lesões endurecidas e escuras, com risco de necrose e feridas de difícil cicatrização. Em casos raros, pode ocorrer escurecimento da urina, sinal de gravidade extrema. Diante de qualquer suspeita de picada, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde. Se possível, levar o animal ou uma foto ajuda na identificação e no tratamento correto. Também é recomendado lavar o local com água e sabão, manter o membro afetado elevado e usar compressas mornas para aliviar a dor. Não devem ser utilizados torniquetes nem substâncias caseiras. A Secretaria de Estado da Saúde destaca que a rede pública está preparada para atender os casos, com soros específicos disponíveis e suporte técnico dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), que funcionam 24 horas.
Prevenção é fundamental
Entre as medidas simples que ajudam a reduzir os riscos estão:
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Afastar camas e berços das paredes e evitar roupas de cama encostando no chão;
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Sacudir roupas e calçados antes de usá-los;
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Vedar frestas em portas e janelas e utilizar telas em ralos;
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Manter quintais e jardins limpos, com grama aparada e sem acúmulo de entulhos, lenha ou materiais encostados nas paredes.
Para orientações ou emergências, a população do Sudoeste, incluindo Pato Branco, pode entrar em contato com o CIATox Paraná pelo telefone 0800 0410 148, além das unidades regionais de apoio.

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