O documento destaca que o Legislativo já protocolou um projeto de lei que pretende criar um marco regulatório completo para o Estar. Com isso, os vereadores construíram um argumento de prioridade institucional: se há uma proposta em curso no Parlamento, o decreto perde legitimidade política e previsibilidade jurídica. A leitura possível é que a Câmara reivindica protagonismo na definição do modelo final de estacionamento rotativo, deslocando o debate do âmbito administrativo para o legislativo. Trata-se de um movimento comum em cidades que modernizam sistemas de mobilidade: o Município ganha novas ferramentas tecnológicas, mas o arcabouço legal não consegue acompanhar a velocidade das mudanças — o que abre espaço para conflito de competências.
Segurança jurídica como eixo argumentativo
Ao defender a suspensão do decreto, os vereadores utilizam um enquadramento retórico típico de debates regulatórios: proteção ao usuário, proporcionalidade e transparência. São conceitos amplos, mas eficazes, porque deslocam a questão do mérito administrativo (o Estar funciona ou não?) para o plano institucional (a forma como foi implementado respeita princípios do direito público?). Além disso, ao argumentarem que os cidadãos podem ser penalizados com base em regras prestes a serem substituídas, os parlamentares introduzem um elemento de urgência que legitima o pedido de suspensão imediata.
O debate além do requerimento
Ainda que o documento não trate disso diretamente, o caso sugere temas estratégicos para o município nos próximos meses:
- o impacto econômico e social do Estar no comércio central;
- a capacidade do Município em operar tecnologias de fiscalização automatizada;
- o efeito multiplicador de um decreto quando a legislação base está em disputa;
- o papel do Legislativo em sistemas de mobilidade urbana.
O que está em jogo
O requerimento não encerra o debate, mas abre uma agenda: quem define o modelo de mobilidade urbana em Pato Branco e como se deve implementar tecnologias que afetam o cotidiano dos motoristas. O fato de o documento pedir suspensão até que o novo projeto seja analisado em conjunto pelos poderes e com participação social sugere um reposicionamento político do Legislativo diante do Executivo. A discussão, portanto, vai além do OCR e do aplicativo: diz respeito ao processo de tomada de decisão pública e ao grau de legitimidade das normas que regulam serviços urbanos essenciais.

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