Enquanto o mundo busca soluções efetivas para conter os efeitos das mudanças climáticas, o Paraná apresenta resultados robustos na transição para uma economia de baixo carbono, impulsionado por políticas públicas que estimulam a produção de energia renovável no campo, nas cidades e na indústria. A ampliação da matriz solar e de biogás, a expansão das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e, sobretudo, a instalação de um dos maiores parques eólicos do País colocam o Estado em posição de destaque no cenário nacional da sustentabilidade.
Na última COP30, representantes de quase 200 países discutiram formas de acelerar a transição energética global. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), apenas 30% da eletricidade produzida no mundo em 2023 veio de fontes renováveis – percentual que deve ultrapassar 40% somente ao fim da década. No Brasil, o Paraná aparece como exemplo concreto de avanço: 98% da energia consumida no Estado já é gerada a partir de fontes limpas, resultado de uma estratégia de longo prazo que combina inovação, competitividade e preservação ambiental. “Temos a oportunidade de mostrar ao mundo que no Paraná existem políticas eficazes de geração renovável e equilíbrio ambiental”, afirmou o governador.
Energia limpa no campo transforma a produção rural
Lançado em 2021, o programa RenovaPR se tornou um marco da política energética estadual ao incentivar a implantação de usinas solares e de biogás em propriedades rurais. O programa já mobilizou R$ 5,8 bilhões em investimentos e viabilizou 38 mil novas usinas de geração distribuída, somando mais de 1 gigawatt de potência instalada — suficiente para atender uma cidade de 2 milhões de habitantes.
Com apoio técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e linhas de crédito subsidiadas pelo Banco do Agricultor Paranaense, milhares de produtores reduziram gastos com energia em até 95%. Além da economia, o programa impulsiona o aproveitamento de resíduos da agropecuária para produção de biogás e biometano, evitando contaminação ambiental e gerando nova fonte de renda no campo.
PCHs reforçam segurança energética e preservação ambiental
O Estado também avança na descentralização da geração hidrelétrica. Atualmente, o Paraná conta com 114 PCHs e CGHs em operação, cinco em construção e dezenas de novos projetos em avaliação pela Aneel. O setor deve receber R$ 1,1 bilhão em investimentos privados para a construção de 11 novas unidades até 2030, somando 110 megawatts dedicados ao mercado regulado.
Além de prover energia limpa e contínua, as PCHs promovem a revitalização ambiental, com ações que ampliam áreas de conservação, protegem nascentes e melhoram a qualidade da água. “Ofertamos energia limpa e crescemos de forma sustentável”, afirma Everton Souza, presidente do Instituto Água e Terra (IAT).
PALMAS SE TORNA EIXO ESTRATÉGICO DA ENERGIA EÓLICA NO SUL DO BRASIL
O maior impulso recente à matriz renovável paranaense vem do Complexo Eólico Palmas II, aprovado pelo IAT neste ano. O empreendimento de R$ 3,5 bilhões é um dos maiores do Brasil em geração a partir dos ventos e consolida a região de Palmas como novo polo estratégico da energia eólica no Sul.
Serão 72 aerogeradores, totalizando 504 megawatts (MW) de potência — energia suficiente para abastecer cerca de 300 mil residências. A escala do projeto impressiona quando comparada ao pioneiro Parque Eólico Palmas I, implantado pela Copel há 25 anos, cuja capacidade instalada era de 2,5 MW. Hoje, cada turbina pode ultrapassar 7 MW, garantindo maior eficiência com menor ocupação de área e reduzido impacto ambiental.
A licença ambiental do Palmas II foi concedida após detalhados estudos técnicos e prevê instalação exclusivamente em áreas já abertas, sem necessidade de supressão de Mata Atlântica. Cada torre foi planejada respeitando corredores de vento, rotas de aves e o diálogo com produtores rurais, que participam do arrendamento das áreas. “Eliminamos totalmente o corte florestal. É um projeto construído junto à população e aos agricultores”, afirma Pedro Dias, diretor-executivo da Vento Sul Energia.
O potencial eólico das regiões Sudoeste e Centro-Sul — até então pouco explorado — ganha força com o novo parque. A expectativa do governo é que o complexo atraia novos investimentos e estabeleça o Paraná como o principal polo eólico do Sul do País, ampliando a diversificação da matriz energética estadual.
Visão de futuro
Com programas de incentivo, planos dedicados ao biogás e biometano e a ampliação das energias solar, hídrica e eólica, o Paraná consolida uma estratégia integrada para acelerar a transição energética. A combinação de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional coloca o Estado em posição de referência para o Brasil e para o debate internacional sobre economia de baixo carbono.

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