O aumento do número de médicos no Brasil e a maior concorrência por vagas em hospitais e clínicas têm levado profissionais da saúde a buscar alternativas de trabalho fora do país. De acordo com a Demografia Médica no Brasil 2024, o país ultrapassou a marca de 600 mil médicos, com forte crescimento de escolas de medicina e concentração de profissionais em regiões metropolitanas. Esse cenário tem contribuído para a pressão sobre remuneração e condições de trabalho, especialmente para médicos em início de carreira.
Ao mesmo tempo, países europeus enfrentam déficit de profissionais de saúde. Na Itália, projeções de conselhos médicos e entidades setoriais indicam que o país poderá registrar, nos próximos anos, um déficit significativo de médicos, em especial em cidades pequenas e médias. O envelhecimento da população e a aposentadoria de profissionais sem reposição proporcional estão entre os fatores que explicam essa tendência.
A diferença entre os dois contextos tem influenciado médicos brasileiros a considerar a revalidação do diploma para atuar na Europa. Para muitos, a decisão envolve a busca por condições de trabalho mais equilibradas, com carga horária definida, possibilidade de planejamento de carreira e maior tempo disponível para vida pessoal. Em localidades menores, é comum que hospitais e unidades de saúde ofereçam estrutura para atuação contínua, com vínculo direto com a comunidade atendida.
“Existe uma procura crescente por informações sobre processos de revalidação e atuação médica na Europa. Muitos profissionais avaliam que, apesar da formação extensa e de alto investimento, o retorno no Brasil nem sempre acompanha as expectativas de estabilidade e progressão na carreira. Na Itália, há demanda real em diversas regiões, e o processo de revalidação, embora rigoroso, é estruturado e segue etapas claras”, afirma Gabriela Rotili médica psiquiatra e CEO da DNN Learning, instituição brasileira voltada à orientação para médicos que desejam exercer a profissão no país europeu.
O processo de revalidação inclui comprovação de formação, reconhecimento acadêmico, proficiência no idioma e aprovação em avaliações específicas. Instituições especializadas destacam que o interesse é variado, envolvendo tanto médicos recém-formados quanto profissionais com experiência que buscam reorganizar a vida profissional e pessoal. Para parte desses médicos, a escolha envolve fatores como custo de vida, infraestrutura urbana e rotina. “Para muitos médicos, essa é uma escolha orientada pela busca de condições de trabalho sustentáveis e perspectiva de longo prazo”, frisa Gabriela.
Cidades médias e pequenas italianas, que têm maior carência de profissionais, aparecem como alternativa possível para quem procura ambientes menos competitivos e com maior previsibilidade no trabalho. A tendência deve se manter, segundo especialistas, à medida que o Brasil continua ampliando o número de formandos e a Europa enfrenta a necessidade de reposição de força de trabalho em saúde.
Da assessoria

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