A coleta de lixo em Pato Branco, tanto orgânico quanto reciclável, tem sido alvo de críticas de moradores e especialistas em gestão urbana. Acúmulo de sacos nas calçadas, atrasos nos itinerários e atendimento irregular em alguns bairros colocam em evidência deficiências no sistema atual. A questão ganha relevância em um município reconhecido pela qualidade de vida, mas que ainda enfrenta desafios na gestão de resíduos sólidos.
Problemas recorrentes
Moradores relatam que a coleta orgânica, essencial para evitar mau cheiro e a proliferação de vetores, nem sempre acontece dentro da frequência anunciada. Já no caso dos recicláveis, a cobertura é desigual: alguns bairros recebem o serviço regularmente, enquanto outros convivem com atrasos ou simplesmente não têm acesso. Segundo especialistas em saneamento, falhas desse tipo comprometem não apenas a limpeza da cidade, mas também os índices de reciclagem. “Quando o caminhão não passa, muitos acabam misturando orgânico e reciclável, o que inviabiliza o reaproveitamento dos materiais”, explica um consultor ouvido pela reportagem.
O debate sobre terceirização
Diante desse cenário, a terceirização da coleta tem sido discutida como alternativa para melhorar a eficiência do serviço. Cidades vizinhas que adotaram o modelo registraram avanços, como aumento da cobertura, frota mais moderna e cumprimento mais rígido dos horários. Em Pato Branco, defensores da terceirização argumentam que empresas privadas poderiam oferecer estrutura mais robusta, com tecnologias de monitoramento em tempo real e equipes treinadas para o manejo adequado dos resíduos.
Além disso, a medida poderia reduzir a sobrecarga da administração municipal, permitindo foco em planejamento e fiscalização. Por outro lado, críticos alertam para riscos do modelo. Contratos mal elaborados podem gerar custos mais altos ao município, sem garantia de qualidade. Outro ponto sensível é a inclusão social: catadores e cooperativas locais, que hoje têm papel relevante na triagem de recicláveis, poderiam ser marginalizados caso o processo não envolva mecanismos de participação e integração.
Caminho possível
Especialistas em gestão pública apontam que a terceirização pode ser viável, mas não deve ser encarada como solução única. O sucesso depende de três fatores centrais:
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Contratos transparentes e fiscalizados — garantindo qualidade e evitando sobrepreços.
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Integração com políticas ambientais — campanhas de conscientização, incentivo à separação na fonte e fortalecimento das cooperativas de catadores.
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Planejamento de longo prazo — para que a gestão de resíduos acompanhe o crescimento populacional e urbano de Pato Branco.
Um desafio coletivo
O futuro da coleta em Pato Branco envolve mais do que decidir entre gestão direta ou terceirizada. Exige políticas públicas consistentes, participação da sociedade e responsabilidade compartilhada. Enquanto o debate avança, moradores seguem esperando que o serviço essencial de coleta cumpra seu papel: manter a cidade limpa e garantir destinação adequada ao lixo que produz. O desafio, portanto, não está apenas em quem executa a coleta de lixo, mas em como o serviço é gerido. A terceirização pode ser parte da solução, desde que acompanhada de transparência, metas de desempenho e continuidade administrativa. Caso contrário, a cidade apenas muda o ator principal de um problema que continua em cena: o lixo mal recolhido nas ruas.

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