Coloração, sabor e texturas únicas. Essas foram algumas das características identificadas no Mel de Capanema a partir de uma pesquisa conduzida pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Campus de Dois Vizinhos. O estudo observou aspectos ligados ao clima, topografia e solo, bem como técnicas de produção dos apicultores do município localizado no sudoeste do Paraná, que tornam o produto diferenciado.
A partir dos estudos, o mel de Capanema foi classificado como de origem floral, sendo que boa porcentagem da florada que interfere na coloração, viscosidade e sabor vem do Louro Branco e do Cambará, espécies nativas encontradas no Parque Nacional do Iguaçu – área rica em biodiversidade e recursos naturais, que faz divisa com o município de Capanema. A presença de plantas como essas favorece a produção de um mel mais claro e suave.
“O Mel de Capanema é um produto único pela identidade dos produtores de mel locais com o Parque e com o Rio Iguaçu. São propriedades inseridas em um terroir (termo em francês que resume a relação entre clima, relevo, temperatura, umidade e solo de um determinado lugar) único, com bioma característico de Mata Atlântica, rico em fauna e flora”, pontua Milene Oliveira Pereira, pesquisadora da UTFPR e umas das responsáveis pelo estudo.
Segundo Milene, a pesquisa aponta que o mel da região traz uma sensação de doçura muito mais suave do que outros méis. “Isso pode ser atribuído à quantidade reduzida de ácidos orgânicos, que são derivados das diferentes fontes de néctar coletado pelas abelhas. Isso também contribui para termos um mel mais claro, o que é muito mais valorizado no mercado consumidor”, destaca.
A pesquisadora ressalta ainda que a qualidade do mel também é influenciada por muitos outros fatores positivos. “O clima da região, a disponibilidade de alimento para as abelhas e sua genética, o habitat natural, manejo adequado das colmeias e, de forma especial, o saber-fazer dos produtores são outros aspectos que refletem as propriedades especiais”, acrescenta Milene.
Relação das abelhas com o Parque
De acordo com Wagner Gazziero, consultor técnico especialista em apicultura e meliponicultura que ajudou a mapear as espécies de abelhas e plantas melíferas do Parque, a relação entre as abelhas e a região confere aspectos únicos e que resultam na produção de um mel especial. “As abelhas são animais que apresentam preferência quanto à diversidade das floradas existentes no ambiente e as propriedades da água usada para regular a temperatura, diluir o mel, alimentar as larvas e manter a umidade do interior da colmeia. São atraídas por plantas aromáticas, diversificadas e prezam pela peculiaridade do habitat, onde encontram condições ideais para o seu desenvolvimento. O Mel de Capanema é resultado de todos esses aspectos”, explica Wagner.
Referência na produção de mel
Desde 2021 o Sudoeste do Paraná vem construindo um caminho para se tornar um polo produtor de mel no Estado, cada vez mais impulsionado pela profissionalização dos produtores e também pela crescente demanda dos consumidores por produtos mais saudáveis. A presidente da Associação dos Apicultores de Capanema e Região (APIC), Salete Reckziegel Manchini, pontua que o mel tem se tornado cada vez mais uma fonte de renda para as famílias. “Atualmente temos 33 associados vinculados à Associação, dos municípios de Capanema, Planalto e Realeza. O mel tem sido um produto importante na renda de muitas famílias, sendo uma atividade que tem despertado cada vez mais interesse. Hoje comercializamos para o Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, mas queremos ir ainda mais longe. É somente o começo”, pontua Salete.
Indicação Geográfica
Em abril de 2025, os produtores de mel da região protocolaram no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem (DO) para o “Mel de Capanema”, buscando não apenas valorizar os atributos do produto, mas também os saberes tradicionais e as condições naturais do território. Consultora do Sebrae/PR, Alyne Chicocki conta que a concessão da IG trará diversos benefícios para os produtores e os consumidores, além de tornar a atividade ainda mais relevante.
“A busca pela Indicação Geográfica representa uma conquista coletiva. Para os produtores, é o reconhecimento do território como um diferencial e da adoção de práticas produtivas sustentáveis. Para os consumidores, reforça a confiança na origem, na rastreabilidade e na qualidade do que consomem. O selo agrega valor, fortalece a identidade local e regional e amplia as oportunidades de acesso a novos mercados”, destaca Alyne.
O pedido de IG é resultado de um trabalho iniciado em 2022, após a formalização de um Acordo de Cooperação Técnica envolvendo diversas instituições, entre elas a Cresol, UTFPR – campus Dois Vizinhos, Sebrae/PR, Associação dos Apicultores de Capanema e a Prefeitura do Município.

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