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Professor Attico Chassot fala sobre ensino de Ciências na UFFS - Campus Realeza

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Marcando a abertura do IV Encontro Acadêmico do curso de Química, iniciado nesta segunda-feira (11), a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - Campus Realeza recebeu o professor Attico Inácio Chassot, considerado uma das referências na produção do conhecimento em Educação Química no Brasil, além de possuir uma vasta experiência na alfabetização científica e no ensino de Ciências na América Latina. O professor também participou de uma roda de conversas, na terça-feira (12), que contou com a participação de professores, estudantes e profissionais da Educação Básica.

Chassot apresentou várias considerações sobre seu livro "Das Disciplinas à Indisciplina" - título da palestra de abertura no evento -, o qual propõe um ensino que supere os limites disciplinares, por meio de uma integração com as demais áreas do conhecimento. Já na roda de conversa de terça-feira (12), a inserção de novas tecnologias no meio escolar e as mudanças vividas por professores e alunos foram temas de debate.

Para o coordenador do curso de Química, Letiére Cabreira Soares, a presença do professor Chassot contribuiu com a formação dos acadêmicos e dos professores participantes do evento. "Ele é um ícone na área da educação no Brasil, com uma expressão forte em outros países. Trazer um profissional dessa expressão para que possa apresentar sua experiência é uma contribuição enorme. Hoje (12), tratamos muito dessa questão de como tem evoluído o modo de ensinar e aprender, o que as vezes é vista como uma barreira a ser superada tanto por professores e como por alunos", destacou.

A temática discutida na roda de conversa buscou responder a questão "A escola mudou ou foi mudada?". Na opinião de Chassot, a escola sofreu mudanças, mas não foi a voz ativa nesse processo. "Existe uma série de novas tecnologias que mudaram o jeito da escola, como o Youtube, por exemplo, onde temos aulas de praticamente tudo. A escola hoje perdeu o papel de transmissora de conhecimento. Não muito tempo atrás, talvez 10 anos, quando não se sabia um determinado assunto, perguntávamos ao professor. O aluno, sendo curioso, as interrogações dele atualmente não chegam até a sala de aula, pois ele tem em casa o professor Google. Então qual é o papel da escola? A escola não tem mais o papel de informadora, mas de formadora. Que o professor saiba - com os poucos conhecimentos - formar e ensinar esse aluno a trabalhar com essa nova tecnologia", destacou.

Sobre a palestra de abertura do Encontro Acadêmica do curso de Química, Chassot apresentou diferentes perspectivas de interpretar o mundo, enfatizando o dualismo entre ciência e religião, as mudanças históricas da educação, as revoluções científicas, bem como novos processos de ensino que superem os limites disciplinares, apostando numa abordagem de entendimento integral dos fenômenos no campo das ciências humanas e naturais.

"Não existe um fenômeno químico ou físico de uma maneira isolada. Precisamos da contribuição de todas as áreas. Ser indisciplinar tem essa ideia de misturarmos tudo para escaparmos da super especialização. Sei que a Ciência cresce pelo trabalho dos especialistas, não nego. Agora, não podemos estar numa situação em que a nossa dependência do especialista não nos deixe ver uma área ao lado", comentou Chassot.

A acadêmica do curso de Química, Thaís Cristina Cogo, que também atua como professora na Escola Municipal do Campo em Flor da Serra, em Realeza, falou sobre a importância do evento para formação acadêmica. "Sempre é muito importante estarmos inseridos em eventos como esse que nos fazem pensar sobre a escola, sobre nossa atuação nesse espaço. É importante também nos colocarmos no lugar dos nossos alunos e buscarmos melhorar sempre nossa atuação", comentou.

Para o acadêmico e também professor em colégios estaduais dos municípios de Lindoeste e Santa Lúcia, Emerson Grohmann, as colocações do professor Chassot trazem novas perspectivas. "A fala do professor apresenta a construção de uma dinâmica entre o que é trabalhado conosco no curso de licenciatura em Química, junto com os diversos temas socioculturais, o que traz novos olhares para a estrutura e a organização escolar".

 


 
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